Já inicio dizendo que a filosofia pode muito.
No mínimo, ela nos faz perceber que precisamos parar de viver no "piloto automático" e dedicar mais tempo à reflexão sobre os problemas do nosso cotidiano. Muitas vezes, achamos que pensar é como respirar: algo puramente natural e que, por isso, já fazemos da melhor maneira possível. Mas a filosofia nos mostra que, na correria, nosso pensamento costuma ser superficial. Ser o "animal racional" significa apenas que temos o potencial para pensar. E convenhamos: ter o potencial para cozinhar não te transforma automaticamente em um chef de cozinha; ter a capacidade é bem diferente de fazer bem-feito.
É possível aprender a pensar. É necessário aprender a pensar.
Mas, para isso, precisamos querer melhorar o nosso pensamento. Martin Heidegger (1889-1976), um filósofo alemão, afirmou que “é preciso que nos disponhamos a aprender a pensar”. Ou seja, só quando aceitarmos que a nossa mente precisa de treino é que entraremos na academia de um pensar efetivo. E para que serve isso na prática? Pensar melhor significa decidir melhor se vale a pena trocar de emprego; significa entender melhor as possibilidades antes de estourar o cartão de crédito; significa, acima de tudo, conviver melhor com o vizinho barulhento ou com a família no almoço de domingo.
Como aprendemos? Aprendemos a pensar quando deixamos de apenas correr de um lado para o outro e de nos satisfazer com respostas rápidas de 15 segundos nos Stories ou no TikTok. Pensar exige dar tempo ao tempo. A reflexão é o movimento que a mente faz sobre si mesma: ela vai e volta, feito um elástico, buscando ser mais crítica e profunda. Refletir sobre um problema — seja uma briga no trabalho ou uma crise no relacionamento — é ir e voltar a ele, tentando entender suas causas e, especialmente, perceber como nós mesmos estamos metidos no meio da confusão.
Com quem aprendemos? Aprendemos a pensar com quem já quebrou a cabeça antes de nós. Por isso, ler é um ato tão transformador. Pensar é uma experiência que fazemos no mundo, mas acompanhados de ideias que já foram testadas. Lemos filosofia para aprender o "caminho das pedras", já que os filósofos e filósofas são aqueles que escolheram o pensamento como o trabalho principal de suas vidas.
A partir de onde aprendemos? Pensamos a partir do chão que pisamos, da nossa existência real. É no contato direto com os perrengues e as alegrias da vida que encontramos a matéria-prima para a mente. Ninguém pensa no vazio; sempre pensamos sobre algo que nos incomoda, nos provoca ou nos encanta.
É exatamente por isso que este blog existe: quero praticar o pensamento e pensar a prática da vida.
No meu caso, essa prática se dá na vida real, "encarnada" nas tarefas do dia a dia: no modo como lido com o trânsito, com os boletos, com minha família, com os meus animais de estimação, com os amigos e com a cidade onde vivo. Quero mostrar que a filosofia não está flutuando nas nuvens; ela acontece no café da manhã, nas escolhas difíceis e no nosso fazer de todo dia.
Portanto, o meu convite para você é este: vamos tirar a filosofia das estantes empoeiradas e trazê-la para a nossa mesa da cozinha!
Não garanto respostas prontas e nem fórmulas mágicas para os problemas da vida, mas prometo uma boa jornada. Que tal encararmos juntos essa empreitada? Veremos que olhar o mundo com mais profundidade transforma a rotina em uma verdadeira aventura de pensamento na prática. Pegue um café, desative por alguns minutos o piloto automático e venha comigo descobrir que pensar bem é, acima de tudo, aprender a viver melhor.
O que acha? Escreva um e-mail para mim: prof.crespo.valinhos@gmail.com
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