28/05 - Aniversário de Valinhos
Você conhece o chão em que habita?
Em sua cidade, sabe a cara das ruas e seus destinos? O chão que percorre traz lembranças à memória e cheiros de outros tempos? De que você se lembra?
Não nasci em Valinhos, mas aqui estou há mais de 7 anos (hoje é 2026) e pretendo ficar. Às vezes, saio com o único intuito de olhar para a cidade e tentar captar quem ela é, como se mostra e o que nos oferece.
A cidade nos oferece, primeiro, o chão sobre o qual vivemos, com trabalho, diversão, cultura, convivência… e muitos outros modos de estarmos nela.
Na correria, nem sempre paramos e observamos ao redor. Muitas vezes, passamos pela cidade como se apenas fôssemos passageiros de um trem que não para. Mas, já que minha vida se faz aqui, pergunto-me o que significa, realmente, pertencer a este lugar.
Pertencer à terra pode - e deve - ser muito mais que apenas morar e trabalhar.
Podemos olhar para a arquitetura da cidade, vendo suas casas, prédios, praças e tudo mais que foi construído. Mas habitar fala do sentido de se sentir propriamente na cidade e da cidade; não se reduz a morar em suas paisagens de concreto.
Nós habitamos quando conhecemos o horizonte e podemos enxergar nosso espaço entre céu e terra. Aquele céu que vemos todas as manhãs e que nos acolhe, e esta terra que pisamos indo fazer a vida acontecer, no trabalho, nos estudos ou com qualquer outro objetivo. Sobre esta terra, a cidade deve permitir nossa humanidade: é na cidade, em suas estruturas políticas e sociais que cuidamos da vida. É neste chão que pisamos e olhamos para a infinitude que nos permite ter esperança.
Ter esperança é ter os pés bem fincados no chão e olhar para o que podemos, enquanto indivíduos e comunidade. Ter esperança é saber que as instituições podem funcionar e têm a obrigação de cuidar da vida. Ter esperança é viver o dia a dia da cidade e perceber suas forças e fraquezas. Ter esperança é esperar em uma espera ativa, de quem assume seu papel e busca fazer acontecer.
Ter esperança é, enfim, cuidar deste chão, para que ele permita a brotação.
Habitar é ato mais poético que o simples morar. A terra não é apenas uma mercadoria ou um vazio para novos loteamentos e empreendimentos. Esta terra de Valinhos, na qual estou, sustenta uma história - muitas histórias, na verdade, de todas as pessoas que, sempre com muito esforço, “fizeram acontecer”, deram movimento à vida. O asfalto não pode soterrar a história em nome da sede da especulação imobiliária; se a terra secar por completo, nada mais sustenta a vida. Quando o espaço público resseca, nosso morar resta minguado.
Quantas vezes neste horizonte, entre este céu e esta terra, você já caminhou? E seus pais e avós? Quanto já construíram? E seus filhos? É importante que eles tenham um horizonte de esperança na vida.
Valorizar a terra, o chão, é garantir que o "habitar" seja digno para todos(as).
Não é apenas infraestrutura; é garantir que o chão que pisamos seja um lugar de encontro, de cultivo (do figo e da alma) e de memória. Habitar este chão deve ser compromisso ético de cada um(a) de nós; é cuidar para abrigar a raiz.
E para você, o que faz de Valinhos o seu chão? O que ainda nos permite habitar poeticamente esta cidade? Compartilhe comigo sua visão. E se não mora em Valinhos, compartilhe também!
O que acha? Escreva um e-mail para mim: prof.crespo.valinhos@gmail.com
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Imagem gerada por IA, a partir do do próprio texto.